chegara ,ao amanhecer ,a lagoa, certo de que iria encontrá. la no edifício restaurado do centro da praça . a cidade oferecia. lhe a possibilidade de revê. la no mesmo local onde a deixara . entraria ,sentar. se. ia na mesma mesa do costume e ,como de costume ,pediria uma bica e um copo de água . não sabia se acenderia ou não o cigarro . havia meses que tentava deixar de fumar . prometera. lhe quando se conheceram. olá. olá . foram as palavras que ,então ,haviam trocado . em leipzig
porquê leipzig? porque gostava . deixara o rosto colado na imagem do último encontro . deixara a cidade . o continente . partira ou fugira . do amor? havia muito que deixara de amar . não se lembrava quando
era verão . olhava ,como se fosse a primeira vez ,a simetria das janelas do prédio onde se refugiara
porquê lagoa ?porquê brasil ? lagoa lembrava. lhe o mar . o seu mar
o universo a separá-los . todavia ,o medo ficara. lhe colado à pele . e se ela o tivesse esquecido? era natural . não tinha ,também ,esquecido os outros?
olhava as árvores . os olhos continuavam presos às árvores . as árvores de um qualquer lugar são como os olhos das pessoas . vêem o que está fora ,ao vento . resguardam ,no entanto ,o interior
e se ele fosse como as árvores de nenhures?
apesar do inverno
deixara a janela ,virada para o parque ,aberta . era a maneira que haviam acordado quando fizeram amor . olá. olá . como da primeira vez ,olhara. o e sorrira . sorrira e olhara. o . o olá. olá viera como um complemento . ele soubera ,de imediato ,que partiria no dia seguinte . e ela ,insegura ,deixara. o com um sorriso atrás
nessa noite ,perdera o comboio para casa . ficara numa outra casa ,com janelas abertas . uma janela aberta para o mar . azul . gostava da cor azul . fazia. a lembrar leipzig . fora em leipzig ,ou numa outra cidade começada por l que o conhecera?
talvez
fora o seu primeiro amante . com ele adquirira o gosto pelo incerto . pela aventura . ela ,senhora de uma "imagem" ,certa ,certinha demais . ela que sempre temera a aventura
ao entardecer ,olhou as janelas . todas fechadas . saíra . não o esperara . o encontro ficara adiado . esquecera o olá. olá da tarde quente de verão ao som da 3ª sinfonia de mälher
atravessou a rua . no café deixara a mesa dos encontros ,a bica arrefecida ,o copo de água cheio e o cigarro ,no cinzeiro ,por fumar
entrou no café ,olhou a mesa ,sentou. se . bebeu a bica ,o copo de água e fumou o cigarro . devagar . não tinha pressa . ele só chegaria no dia seguinte . compraria flores vermelhas . e ele?
morto
acordara ,morto ,havia seis anos atrás
Ordem (A) dos Críticos*
a expressão online das crónicas e diacrónicas publicadas ,ao longo dos anos ,no Jornal Terra Ruiva
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DiaCrónicas - as cidades em l - Lagoa
Publicado: 2010-07-13 às 22:55
DiaCrónicas - as cidades em l - Lagos
Publicado: 2010-06-03 às 16:39
sabia que o mar não o deixaria partir . era nele que se refugiava quando as manhãs aqueciam o corpo em café . mergulhava o olhar e o ser . era num mar de si que encontrava os seus restos . náufrago . no desconforto frio de quem olha o infinito e nada vê . nessa manhã ousava abrir. se de par em par ,mas nada via para além do mar . sempre o mesmo mar em marés calmas . era assim que se sentia . cansada . pousava um pé ,após outro . avançava ,lenta ,em slow. motion e desenhava a volta e a contra. volta no volteio com a brisa . quisera ser bailarina . de carne e osso . o mar levara. lhe o "pas. de. deux " numa viagem sem volta . era tarde e a noite fizera . se em frio só ela e o mar . aquém de ser um ser em perfeita suspensão na revolta . sempre revoltada consigo e com o mundo . havia perdido o voo 235 por causa do mar . irritava. a o modo como o mar continuava a comandar a sua vida . visitara ,entretanto ,outras cidades ,mas acabara sempre por regressar ao ponto zero . estiveva em constante estado de alerta . sabia que o chamariam a qualquer momento . fora ele que houvera escolhido aquela vida . seguira ,à sua maneira ,os mesmos passos do avô . também ele se casara com o mar . mas ele não teria netos a quem contar as estórias prenhas de sereias mergulhou a onda e sentiu a água percorrer. lhe ,poro por poro ,todas as estrias do corpo . ela quebrava o mar em perfeito equilíbrio . sentia o embate . ainda estava escuro quando ele sentiu o primeiro rasgo . a batida de dois corpos sólidos . haviam construído a sua ilha de amor no encontro dos corpos . sensualmente ,a água deixava. o em estado letárgico . mas era o mar que o empurrava a agarrá. la e a percorrer o seu corpo em sintonia com o barulho do vento . piano ,de início ,vibratto um pouco mais abaixo ,em turbilhão ,e , era nesse momento único de vibrante encontro ,no ponto zero de chegada / partida que ela mulher mergulhava no mar . a ele havia entregue o corpo . banhava. se às primeiras horas e repetia o mergulho . compulsivo nunca a imagem fria do dia em que recebera a notícia a havia abandonado . costumava deter. se ,ao a noite ser ,junto da casa onde havia deixado o dia a manhe ser . percorrera os portos com a imagem dela retida em cada olho . fora no encontro do marulhar que encontrara a paz . mas ,o barulho das vozes acordara. o ,e ,ele ,o efabulador de sonhos ,acabara a última cena do filme a correr . seria de noite que os homens da praia encontrariam os restos do barco . ele havia perdido o medo . havia. se encontrado . no ritmo lento da última vaga ,a valsa irrompia no salão e ela dançava . dançava . quisera ,em menina ,ser bailarina . mas o mar ,sempre o mar interrompera ,naquela noite ,o pas. de. deux. fechava os olhos e confundia todas as lágrimas quando mergulhava na confusão do tráfico da cidade . ironia . estava numa outra cidade ,numa nova cidade em l e inundava. se em ser . era a sua nova cidade . lagos de mar . em passo lento
regressava ao ponto zero e desfazia ,por fim ,o braço e o antebraço que a areia tecia ela a onda . ele o mar
regressava ao ponto zero e desfazia ,por fim ,o braço e o antebraço que a areia tecia ela a onda . ele o mar
DiaCrónicas - as cidades em l - Lake Tahoe
Publicado: 2010-05-11 às 18:19
há muito ,imaginara aquele olhar . havia. o ,em vão ,procurado nas cidades do seu efabular . percorrera continentes ,e ,quando ,finalmente ,desistira ,encontrara. o ,solto ao ritmo lento de uma valsa dançada em contra. mão . desintegrado ,sentira as ondulações das searas que searara em dança lenta ,e regressara ,estranho ,às recordações de antanho
antanho era a linguagem de seus avós . havia crescido junto à terra gretada pela fome das manhãs abertas e ,desde cedo ,havia sentido a boca apagada em desejo de terra pão
fustigada pelo vento ,não se deixara abater . havia pulado a cerca ,construída sobre os dias pintados em tons de azeitona . como as copas das árvores que costumava ouvir ,à noite ,entregue aos seus passos de caçador furtivo . fora assim ,numa dessas deambulações que a encontrara . presa . aproximou. se e ela ,a medo ,levantou as asas no voo ferido . soltou os cães e ficou suspenso à dança do animal em voo através do montado . primeiro raso ,depois mais alto ,arribando em direcção ao mundo
correra ,mais uma vez ,em tons de mel ,e engrossara o batimento das asas ao som da pressa do homem / caçador . sabia. se cativo daquele voar
filados os cães esperavam a voz de comando e ele quedo , muito àquem da aventura ,seguia. lhe o volteio o silêncio da terra era o elo que os unia . ele o caçador ,cativo
ela seguindo o ritmo do dia ,solta à migração do outono
que estranho aquele olhar que se projectava na mira do caçador ,tornando. a vulnerável ao cúmplice jogo ,do agarra e foge . havia sido antecipado o encontro das asas e o desejo do caçador
agarrado ao sortilégio deixara. se cair sobre um manto de horas semeadas a esmo ,indiferente a tudo o que pudesse reescrever a fábula que antevira nas cidades deixadas muito lá atrás
ele havia sido o enfabulador e regressava caçador como fora escrito no livro de reclamações
abriu a asa pronta a deixar. se prender
e olhou. o
e ele viu. se projectado no olhar em flash de uma ave / dona
cativo
antanho era a linguagem de seus avós . havia crescido junto à terra gretada pela fome das manhãs abertas e ,desde cedo ,havia sentido a boca apagada em desejo de terra pão
fustigada pelo vento ,não se deixara abater . havia pulado a cerca ,construída sobre os dias pintados em tons de azeitona . como as copas das árvores que costumava ouvir ,à noite ,entregue aos seus passos de caçador furtivo . fora assim ,numa dessas deambulações que a encontrara . presa . aproximou. se e ela ,a medo ,levantou as asas no voo ferido . soltou os cães e ficou suspenso à dança do animal em voo através do montado . primeiro raso ,depois mais alto ,arribando em direcção ao mundo
correra ,mais uma vez ,em tons de mel ,e engrossara o batimento das asas ao som da pressa do homem / caçador . sabia. se cativo daquele voar
filados os cães esperavam a voz de comando e ele quedo , muito àquem da aventura ,seguia. lhe o volteio o silêncio da terra era o elo que os unia . ele o caçador ,cativo
ela seguindo o ritmo do dia ,solta à migração do outono
que estranho aquele olhar que se projectava na mira do caçador ,tornando. a vulnerável ao cúmplice jogo ,do agarra e foge . havia sido antecipado o encontro das asas e o desejo do caçador
agarrado ao sortilégio deixara. se cair sobre um manto de horas semeadas a esmo ,indiferente a tudo o que pudesse reescrever a fábula que antevira nas cidades deixadas muito lá atrás
ele havia sido o enfabulador e regressava caçador como fora escrito no livro de reclamações
abriu a asa pronta a deixar. se prender
e olhou. o
e ele viu. se projectado no olhar em flash de uma ave / dona
cativo
DiaCrónicas - as cidades em l - Liverpool
Publicado: 2010-04-11 às 18:03
a água e o regresso ao nada . à matéria prima ou à sua negação . sabia. se de volta ao interior da bolsa . era na placenta materna que mergulhava de novo . aquém mundo . fechado na ratoeira dos espermas
o barco de papel levou. a para o outro lado da página do livro de reclamações ,esquecido em além. tejo ,terra de seereiros e mondadeiras sabia. a no horizonte
parada . olhou. a antes de descer do táxi ,entrar na estação e apanhar o combóio para Liverpool . mui lentamente ,seguiu. lhe o abraço solar e reviu. o
havia praia mar e ele não sabia . desenhou uma nova linha no horizonte e sentou. se para vê. la regressar . abriu a porta e ouviu o compasso da respiração dele . forte . o barco continuava longe sujeito ao arquejar do vento na janela que se abria
e ele adivinhou o sopro de sol
ficou parado na ombreira da porta
hesitou . avançou um passo ,dois . deixou. se ficar a abservá-la . quieto
movimentava um braço . uma perna . volteava o corpo . arqueava a cabeça . estendia o braço esquerdo . rodopiava sobre o direito . parava e retomava o andamento . virou. se ,súbita ,numa lufada de música . ele estava na sua frente . o antebraço subiu o chão ,a colcha ,o lençol ,a pele
e ele amou. a ,subitamente ,ao sol fundiu. se na água . o silêncio vestia as horas e nada parecia quebrar aquele estar a dois . as pernas tocaram. se . era o cair da tarde e alguém içara a vela do destino . destino era coisa em que ela não acreditava . ela tinha sido o seu próprio destino. havia deixado o rio da vida correr e ouviu o tic. tac do relógio sobre a cama . lembrou. se que ,àquela hora ,deveria estar na Universidade . os alunos esperavam. no ,desde a véspera . faltara à promessa que lhe havia feito . descer a montanha. russa
ela ,porém ,fechava os olhos e deixava. se ficar . em silêncio . o ruído da rua chegou. lhe
em Liverpool os beatles nasciam nas capas dos álbuns que havia deixado ,caídos ,no chão do escritório
inventaria uma outra estória . abriu a janela e
ouviu as 8 horas no relógio da torre . devagar ,muito devagar ,lembrou. se que era segunda. feira e que a esperava uma nova semana de trabalho
o barco de papel levou. a para o outro lado da página do livro de reclamações ,esquecido em além. tejo ,terra de seereiros e mondadeiras sabia. a no horizonte
parada . olhou. a antes de descer do táxi ,entrar na estação e apanhar o combóio para Liverpool . mui lentamente ,seguiu. lhe o abraço solar e reviu. o
havia praia mar e ele não sabia . desenhou uma nova linha no horizonte e sentou. se para vê. la regressar . abriu a porta e ouviu o compasso da respiração dele . forte . o barco continuava longe sujeito ao arquejar do vento na janela que se abria
e ele adivinhou o sopro de sol
ficou parado na ombreira da porta
hesitou . avançou um passo ,dois . deixou. se ficar a abservá-la . quieto
movimentava um braço . uma perna . volteava o corpo . arqueava a cabeça . estendia o braço esquerdo . rodopiava sobre o direito . parava e retomava o andamento . virou. se ,súbita ,numa lufada de música . ele estava na sua frente . o antebraço subiu o chão ,a colcha ,o lençol ,a pele
e ele amou. a ,subitamente ,ao sol fundiu. se na água . o silêncio vestia as horas e nada parecia quebrar aquele estar a dois . as pernas tocaram. se . era o cair da tarde e alguém içara a vela do destino . destino era coisa em que ela não acreditava . ela tinha sido o seu próprio destino. havia deixado o rio da vida correr e ouviu o tic. tac do relógio sobre a cama . lembrou. se que ,àquela hora ,deveria estar na Universidade . os alunos esperavam. no ,desde a véspera . faltara à promessa que lhe havia feito . descer a montanha. russa
ela ,porém ,fechava os olhos e deixava. se ficar . em silêncio . o ruído da rua chegou. lhe
em Liverpool os beatles nasciam nas capas dos álbuns que havia deixado ,caídos ,no chão do escritório
inventaria uma outra estória . abriu a janela e
ouviu as 8 horas no relógio da torre . devagar ,muito devagar ,lembrou. se que era segunda. feira e que a esperava uma nova semana de trabalho
DiaCrónicas - mulher
Publicado: 2010-03-17 às 19:25
algo não estava certo . ela . sentada sobre a cama olhava a janela . a persiana corrida . o silêncio ,dentro ,fazia gorgitar o sangue que fluia feito de sonhos e dela . a janela trazia. lhe o barulho da rua . ela oferecia. lhe o silêncio em si . habituara. se às trocas ,quando lhe devolviam os trocos em velas ,nas igrejas do seu interior . gostava. as góticas ,não porque as visitasse ,antes porque acreditava que as rosáceas podiam encher. lhe a face de cor . a que não tinha
sentia. se ,porém ,tão linear
tão linear ao traço com que havia escrito a sua vida . tivera altos e baixos e os sapatos deixavam. na apertada . preferia andar descalça . pisar a areia . entrar no mar . comer as nuvens de açúcar e descobrir que ,apesar das fotografias tiradas e a tirar ,nunca saíra de si . as viagens que fizera ,haviam sido um erro . crasso . saíra ficando presa aos fantasmas que constituíam o seu olhar o mundo . que mundo? os continentes? os países? as cidades? perspectivas ,apenas ,do seu olho interior . o que resistia . o que a segurava
o que a fazia resistir ao medo . aos seus medos . em azul
pintados na tela que era a sua vida . nunca demonstrava que o medo fazia parte de si ,como se ao fazê. lo ficasse mais fragilizada . envolvia. se ,mas sabia. se ,sempre ,no outro lado da vida . a que o pintor jamais pintaria ,porque não tinha modelo que lhe servisse . a anorexia retirara. a do lado modelar e deixara. a simples aparência . de gorda . a mulher gorda que Renoir havia sensualizado sobre o leito . de morte . ela era a morte . a pintura . renúncia ao azul e ,mais uma vez ,o medo de já não ser . de nunca ter sido . de não poder ser . o ser que era
o nascer a ser . mulher
sentia. se ,porém ,tão linear
tão linear ao traço com que havia escrito a sua vida . tivera altos e baixos e os sapatos deixavam. na apertada . preferia andar descalça . pisar a areia . entrar no mar . comer as nuvens de açúcar e descobrir que ,apesar das fotografias tiradas e a tirar ,nunca saíra de si . as viagens que fizera ,haviam sido um erro . crasso . saíra ficando presa aos fantasmas que constituíam o seu olhar o mundo . que mundo? os continentes? os países? as cidades? perspectivas ,apenas ,do seu olho interior . o que resistia . o que a segurava
o que a fazia resistir ao medo . aos seus medos . em azul
pintados na tela que era a sua vida . nunca demonstrava que o medo fazia parte de si ,como se ao fazê. lo ficasse mais fragilizada . envolvia. se ,mas sabia. se ,sempre ,no outro lado da vida . a que o pintor jamais pintaria ,porque não tinha modelo que lhe servisse . a anorexia retirara. a do lado modelar e deixara. a simples aparência . de gorda . a mulher gorda que Renoir havia sensualizado sobre o leito . de morte . ela era a morte . a pintura . renúncia ao azul e ,mais uma vez ,o medo de já não ser . de nunca ter sido . de não poder ser . o ser que era
o nascer a ser . mulher
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